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Vitória Diniz. Tecnologia do Blogger.

O infinito e a vida


É fato que as mudanças climáticas são uma realidade já presente no nosso dia a dia, a questão não é mais como evitar sua ocorrência, mas sim maneiras de lidar melhor com suas consequências de modo a minimizar os impactos. Ou seja, não é um evento que pode acontecer, ele já ocorre. Contudo, algo muito recorrente, na atualidade, é a postura que nega a relação do envolvimento humano como agravador da questão climática. Por esse motivo, é fundamental o contínuo debate e divulgação científica nessa área.

OS OCEANOS

Antes de apontar ou derrubar argumentos e evidências, é necessário entender o papel dos oceanos em meio a tudo isso. Eles exercem uma importante função de regulação do clima global, redistribuindo a energia que chega em excesso na região tropical e levando-a até as regiões polares onde há um déficit. Nas palavras de Ilana Wainer (professora no Departamento de Oceanografia Física do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo) é "como um ar condicionado do planeta", no que se refere a circulação de calor.

Com o derretimento das geleiras (consequência direta da alteração no clima, principalmente por elevação da temperatura) o oceano acaba sendo menos eficiente na redistribuição de calor, assim os mecanismos de circulação de água e transferência de energia térmica entre os hemisférios poderão sofrer muito com as mudanças climáticas.

TEMPERATURA

O efeito estufa é o principal mecanismo responsável pela manutenção do aquecimento do planeta. Todo esse processo funciona basicamente da seguinte forma: A atmosfera terrestre possui e é composta por vários gases (um conjunto de partículas microscópicas que se movimentam constantemente). Cuja função, de forma simplificada, é permitir a passagem de radiação solar e absorver a radiação infravermelha térmica (popularmente conhecida como calor) emitida pela Terra. Assim, o efeito estufa mantém a temperatura do planeta em cerca de 15 ºC, de modo a garantir condições adequadas para existência de vida. Pois sem ele a temperatura da Terra seria -18 ºC.

O problema é que com o aumento da emissão de gases do efeito estufa (GEE), em consequência da atividade humana, todo esse processo é intensificado. Seguindo o raciocínio físico abordado pelo site de meteorologia do IAG USP: "quanto maior for a concentração de gases, maior será o aprisionamento do calor, e consequentemente mais alta a temperatura média do globo terrestre".

Tal pensamento pode ser comprovado analisando o aumento cada vez maior de dióxido de carbono em média global sobre os locais de superfície marinha:
Recente média mensal global de CO2. Onde o valor mais recente (fevereiro de 2020) registra 413,22 ppm.
Fonte: https://www.esrl.noaa.gov/gmd/ccgg/trends/global.html.
Como visto acima, 413,22 ppm é a quantidade de CO2 registrada em fevereiro, enquanto que em 1980, esse valor era de pouco mais de 340 ppm, ou seja, em menos de um século chegamos a registrar quase 80 ppm a mais.
Média mensal global de CO2  registrada entre 1980 e 2020.
Fonte: https://www.esrl.noaa.gov/gmd/ccgg/trends/global.html.



EVIDÊNCIAS

Segundo o portal do clima da NASA as principais evidências (muitas das quais podem ser confirmadas no artigo feito pela BBC) que comprovam as mudanças climáticas são:

  • Aumento da temperatura global;
  • Oceanos em aquecimento, ;
  • Encolhimento das folhas de gelo;
  • Geleiras estão recuando;
  • Diminuição da cobertura de neve;
  • Elevação do nível do mar;
  • Gelo do mar Ártico em declínio;
  • Eventos recordes de alta temperatura;
  • Acidificação do oceano;
DERRUBANDO O NEGACIONISMO CLIMÁTICO

Um "argumento" que o movimento negacionista aponta é a ocorrência, no contexto paleoclimático passado, de mudanças no nível do mar e clima da Terra, o que para eles legitima como normal o que está ocorrendo. Contudo, há muitas falhas nesse pensamento.

Sim, é um fato a variação vertical no nível do mar nas eras geológicas passadas, muitas das quais com um aumento anual superior ao atual. Mas, ao contrário delas não passamos por um período de deglaciação (onde condições naturais garantiriam essa mudança) e sim por uma maciça emissão de gases do efeito estufa. Mais do que isso, hoje a taxa de aumento do nível do mar cresce com uma grande rapidez e tal velocidade interfere na nossa capacidade de adaptação.

Segundo Carlos Alfredo Joly (biólogo pela USP e PhD em Ecofisiologia Vegetal pela University of Saint Andrews, na Escócia), "no passado geológico o aquecimento e o resfriamento do planeta se deram de forma gradativa no decorrer de milhares de anos, dando tempo para que ao longo de centenas de gerações de plantas e animais os mecanismos do processo evolutivo atuassem. Isto contudo, foi alterado pelo homem, a referência agora são décadas, e há uma discrepância entre a velocidade das mudanças climáticas e a do processo evolutivo".

CONSCIÊNCIA AMBIENTAL

Observar o cenário atual com um olhar crítico — valorizando o conhecimento científico e com a consciência de que os seres humanos e a natureza são uma unidade e, por conseguinte não podem (nem devem) ser fragmentados — é uma característica necessária para superar as "trevas" que ofuscam causas de extrema importância e levam uma parcela da população a negar coisas já comprovadas cientificamente, como é o caso das mudanças climáticas.

Um canal que gosto muito, o Antídoto, contextualizou bem essa questão em um vídeo:



REFÊNCIAS

Artigos científicos:
https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-45222019000200018&script=sci_arttext&tlng=pt
https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-753X2007000100012&script=sci_arttext&tlng=pt

Artigos de blogs científicos:
http://www.observatoriodoclima.eco.br/patifaria-dos-negacionistas-climaticos/
http://oquevocefariasesoubesse.blogspot.com/
https://climate.nasa.gov/evidence/
https://www.climate.gov/news-features/blogs/beyond-data/2010-2019-landmark-decade-us-billion-dollar-weather-and-climate
https://www.iag.usp.br/siae97/meteo/met_estu.htm
https://www.esrl.noaa.gov/gmd/ccgg/trends/global.html

Artigos jornalísticos:
https://www.bbc.com/portuguese/geral-46424720

Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=qL26MqN8ce8&t=23s
https://www.youtube.com/watch?v=EvXBKCIhkx4
https://www.youtube.com/watch?v=bZoJhnS35VI

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Relacionamentos superficiais, pressão (seja interna ou externa) para ser bem sucedido, cobrança da faculdade, preocupações financeiras, insegurança devido as redes sociais, desespero diante do desemprego ou (para quem trabalha) falta de tempo, rotina agitada, distanciamento da família e amigos, baixa autoestima provocada pelas desilusões amorosas, imposição para ter um relacionamento e constituir família... As exigências da vida adulta não param por aí. Mas essas resumem bem as indagações que tiram o sono de (quase) todo jovem que chega a tal turbulenta fase da vida. 

Quando criança, fantasiamos com a fase em que teremos independência suficiente para fazermos nossas próprias escolhas. Contudo, como quase todo delírio infantil nos enganamos a respeito do que é ter mais de 18 anos: uma grande dor de cabeça. Na verdade, é um período totalmente marcado por incertezas. Se você também chegou a essa etapa, sinta-se abraçado.

Para os teimosos devo avisar que não tem nada de glamouroso em trabalhar, não sobrará dinheiro nem para as bobagens gastronômicas. E tempo é o menor recurso do jovem-adulto, principalmente se precisa lidar com o grande volume de atividades do ensino superior.

Ademais, é geralmente nesse período que ocorrem as primeiras ou mais sérias relações amorosas. Com isso, iniciam-se as frustrações, os livros e filmes de romance nos enganam! Na vida real predominam joguinhos, indiferenças e conflitos. Nesse sentido, faço alusão a música "Trem bala" da cantora Ana Vilela: "é que a gente quer crescer e quando cresce quer voltar ao início, porque um joelho ralado dói bem menos que um coração partido".

Outra ilusão é acreditar que já seremos seres maduros e bem-resolvidos, ao final de um dia cheio muitas vezes desejamos o colinho materno acompanhado por uma boa dose de glicose. Sem falar que a chegada abrupta de todas essas responsabilidades pode agravar a saúde mental e levar a dosses excessivas de estresse, cansaço ou coisas piores como distúrbios psiquiátricos e até o suicídio. Não podíamos estar mais enganados (durante a infância) sobre como é a vida adulta.
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O crescimento populacional desordenado gerou vários problemas não apenas no campo ambiental, mas também, no funcionamento da sociedade em si. Nesse sentido, alguns indivíduos foram e ainda são forçados a viver, trabalhar e consumir em condições ambientais insalubres. Desse modo, há um consenso social responsável por destituir da condição de cidadão uma parcela da população brasileira (menos abastada), e fundamentar os impactos socioambientais em toda a sua cadeia de exploração.

A princípio, um pensamento etnocêntrico coloca em lados opostos tanto pessoas como regiões com menores e maiores condições financeiras, sobre as quais tal realidade legitima o abuso dos recursos naturais. Por conseguinte, o diferente é visto como o outro, um ser inferior e sem direitos, de modo a permitir apropriação do espaço que ocupa e a degradação desse meio, pregado pelos detentores de maior poder, como de ninguém (SANTOS, 2007). Assim, uma linha abissal separa os países, bairros e estados subdesenvolvidos (geralmente com legislação mais flexível), nos quais o despejo de resíduos e a contaminação (seja do solo, água ou ar), por ocorrer em área marginalizada, são aceitáveis.   

 Outrossim, distorções baseadas nas diferenças contribuem para que a cidadania do homem passe a ser incompleta. Essa situação é exemplificada pelo documentário “Ken Saro-Wiwa, Presente!”, que narra o conflito da instalação de uma empresa petrolífera na Nigéria. Em consequência dessa atividade e das inexistentes medidas de reparação ambiental, a população local passa a sofrer com a perda de sua biodiversidade (fonte de renda para os moradores), doenças, contaminação da água e ameaças do poder público.

Além disso, fragmentar o estudo desse problema entre social e natural, como se humanidade e natureza fossem campos contrários, sem ligação, limita a análise das implicações fortalecidas pela desigualdade. Porquanto, não é possível pensar o contexto da atual crise ambiental sem o entendimento de que o crescimento da pobreza e a degradação dos recursos (bióticos e abióticos) estão intimamente interligados (LAURENT, 2009). Portanto, com muita frequência a situação de carência das necessidades humanas está associada ou é causada pela degradação ambiental. 

Diante desse panorama, é possível notar a importância da aplicação e elaboração de políticas públicas voltadas para diminuição da desigualdade e estereótipo colonial associado à inferioridade de povos, a fim de também retardar a degradação da biodiversidade. Fortalecer as camadas financeiramente fragilizadas é uma forma de lutar contra a injustiça social e em prol de condições que permitam o desenvolvimento das atuais e futuras gerações. Dessa forma, pensar em um desenvolvimento sustentável e limitação de impactos socioambientais, torna-se mais palpável de ser alcançado, quando o meio ambiente e a erradicação das desigualdades são tratados como pontos de igual relevância para toda a sociedade.   


REFERÊNCIAS
LAURENT, Catherine. Desigualdades sociais, pobreza e desenvolvimento sustentável: Novas questões relacionadas aos modelos de conhecimento que fundamentam a ação política. Política e sociedade nº 14, abr. 2009. Pág. 145-177.
SANTOS, Boaventura Souza. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. Revista Crítica de Ciências Sociais, ed. 78. 2007. Pág. 3-46. 
























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Passada a empolgação inicial de ter ingressado na melhor universidade pública da América Latina, a USP, flagrei-me constantemente pensando "é isso mesmo que quero?". Aos poucos fui descobrindo que a atuação literalmente faz jus ao termo gestão (primeira palavra que compõe o nome do curso), o qual tem enfoque totalmente administrativo e burocrático acerca dos recursos naturais. Em outras palavras, guia planejamentos, avaliações, intervenções e manejos de áreas ambientais já degradadas, geralmente no conforto de um escritório. Constatei tudo isso a partir de palestras e conversas com egressos atuantes na área (realizadas no ano passado).

 Quando escolhi o curso tinha consciência desse lado administrativo, mas sinceramente eu estava um pouco perdida e desiludida, queria que esse chamado ambiental salvasse a minha vida e fornecesse uma razão para viver. Um pouco ingênuo, eu sei, mas como o gato do filme da Alice diz "quando você não sabe o que quer, qualquer caminho serve" e ainda tinha a possibilidade de estudar na minha tão sonhada USP...

Sinto falta da matemática e dói saber que talvez não tenha optado seguir nessa área por insegurança, medo de não ser boa o suficiente. Isso porque mesmo apesar das minhas excelentes notas escolares, paixão e curiosidade pela disciplina, nunca fui premiada na OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), o que para minha mente ansiosa e depressiva era motivo suficiente para me tornar incapaz de ter êxito. O meu perfeccionismo e a alienação da percepção de que por sermos humanos o erro é comum e aceitável, impediu-me de seguir os estudos nesse campo.

Entrei na graduação carregando a frustração de não ter tido coragem para escolher o que realmente queria, tentei o tempo todo me convencer de estar seguindo o caminho mais correto, afinal estava lutando por uma causa nobre e do meu interesse: o meio ambiente, a qual me curaria da depressão proporcionando o sentimento de utilidade e o desejo de continuar viva. Não poderia estar mais errada! Pode não ter sido apenas o fator universidade, mas também a somatização da minha adaptação a São Paulo (cidade que mantenho uma relação de amor e ódio), responsáveis pela piora do meu quadro clínico, porém, sem dúvidas a insatisfação pessoal com minhas decisões teve um grande peso.

Deveria ter notado o problema quando foi divulgado o resultado do ENEM: não fiquei feliz, senti-me indiferente. O que é estranho, mesmo tendo sofrido uma crise depressiva após a realização da prova por antecipação catastrófica do meu resultado. Todavia, o que eu poderia fazer nesse momento? A seleção já tinha ocorrido e me esforcei tanto para entrar na USP, minha nota já havia sido usada e foi tão legal compartilhar meu "sucesso", receber os parabéns no facebook.

E agora? Você pode dizer: é simples, só mudar para algum curso da área matemática! Talvez até possa ser, contudo, não é assim que vejo. Ainda carrego as marcas do meu fracasso na OBMEP, tenho muita insegurança. Principalmente porque a matemática do ensino superior é diferente daquela a qual estamos acostumados, vem o medo de não gostar do que irei encontrar, de errar novamente a escolha. Nesse momento penso que se eu não tentar nunca irei saber. Entretanto existe outro fator também: dependo dos auxílios oferecidos pela universidade, e o financeiro só é ofertado para alunos do meu campus, então se eu trocar de curso vou perdê-lo.

 Enquanto não decido sigo onde estou. E essa posição não é de todo ruim, sabe? Tenho um certo apego pelo que alcancei, contraditoriamente é de certa forma confortável. Eu gosto das viagens de campo, de fazer algo pelo meio ambiente, das experiências vividas e o autoconhecimento adquirido no caminho, das amizades que fiz, da independência que a universidade me proporciona, uma grande parte das matérias são interessantes e o ambiente já é familiar. Seriam esses fatores motivos suficientes para permanecer no curso? Eu não sei. Enquanto não decido nada o tempo vai passando e tudo fica mais e mais difícil, não escolher também é uma escolha. 

Além de tudo isso, existe a pressão para fazer a escolha "certa" que me levará a uma vida bem sucedida e a justificativa é a da vida ser única, só há uma chance. Nesse momento me lembro do filme "Mr. Nobody". Uma de suas citações contradizem totalmente essa ideia, segundo a qual "todo caminho é o caminho certo, tudo poderia ter sido outra coisa e teria o mesmo tanto de significado".

É, portanto, um momento difícil, uma questão inquietante. Irei aproveitar a quarentena, já que vivemos uma pandemia de COVID-19 e estou na Bahia devido ao cancelamento das aulas presenciais (o que também não ajuda muito, pois me deixa mais ansiosa e ainda tenho que me adaptar ao modelo improvisado de aula EAD da USP), para pensar um pouco mais sobre isso. Talvez um dia chegue a alguma conclusão.

Retratação: https://oinfinitoeavida.blogspot.com/2020/11/e-se-nao-existir-um-curso-certo.html
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O livro conta a história de dois amigos (Alice e Mattia), por intermédio de narrativas que caracterizam a vida deles desde a infância até a idade adulta. Seu nome é uma analogia a uma propriedade matemática dos números primos, a qual define números divisíveis por 1 e si mesmos que compartilham uma solidão: a diferença ente eles é igual a 2 e portanto, apenas um número par os separam, a exemplo de 5 e 7, 11 e 13, 17 e 19. Desse modo, existem perto um do outro mas não o suficiente para se tocarem, assim como os personagens principais dessa história.

Tudo se inicia com acontecimentos da infância, responsáveis por mudarem definitivamente a vida de cada um. Nessa época os dois não se conheciam ainda, mas suas fragilidades traçavam um caminho para uni-los. Aos nove anos Alice se vê infeliz ao ter que praticar esqui, um esporte que odeia, apenas para satisfazer a vontade de seu pai. Porém, esquiando em um dia preenchido pela neblina, ela sofre um acidente que lesiona sua perna esquerda, deixando-a deformada. A garota, por conseguinte, fica marcada com uma cicatriz que simboliza a alteração do relacionamento com o pai, seu corpo e a sociedade.

Mattia, por outro lado, possui uma exigência familiar diferente. Desde cedo manifestou uma grande facilidade de aprendizagem, ao contrário de sua irmã gêmea Michela, a qual nasceu com uma deficiência intelectual. As dificuldades dela não eram acolhidas pelas outras criança, o que tornavam os dois irmãos alvos de preconceito. Por esse motivo eles nunca eram convidados para nada. Todavia, ao serem pela primeira vez convidados para uma festa de aniversário, o garoto decide ir sozinho. Ele tem a ideia de deixar sua irmã sentada na praça que fazia parte do percurso, enquanto ocorre a festa. Contudo, ao voltar para buscá-la, não a encontra nunca mais. Isso leva-o a criar um grande sentimento de culpa.

Alguns anos passam e eles entram na adolescência com conflitos internos que os levam a desenvolver transtornos. Alice sofre com anorexia e Mattia, autolesão não suicida (seu comportamento disfuncional teve início no dia que sua irmã desapareceu), cada um com seus fantasmas internos que os conduzem a solidão. Porém, assumem posições diferentes, ela se esforça para se encaixar no mundo, enquanto ele tenta se isolar do mundo. Ironicamente, acabam se conhecendo e a partir desse momento tornam-se amigos unidos pelas cicatrizes e inseguranças que possuem.

O que mais me encantou nessa narrativa foi a facilidade do autor de aproximar o leitor do conflito, a forma crua como tudo é contado lembra quão real e próxima a obra é. Senti estar dentro da história compartilhando com os personagens as angústias, receios, sentimentos de inadequação e solidão. Tudo isso ao mesmo tempo em que transmite um ar de veracidade, responsável por ora questionar o impacto de nossas ações e escolhas na vida, ora aceitar as consequências.

Acredito, acima de tudo, ser essa história objeto de reflexão sobre até que ponto questões que ocorrem enquanto ainda somos crianças, moldam o padrão mental e de comportamento adotados durante as próximas etapas etárias. A forma particular como cada um lida com eventos traumáticos e o peso disso na qualidade de vida, pois o que todos procuram no fundo direta ou indiretamente é a felicidade.

Adquira esse livro na Amazon: https://amzn.to/3cGKEdt (comprando pelo link você ajuda muito o blog ❤️).


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No dia 30 de outubro ocorreu a visita de campo ao Parque das Neblinas. Localizado em Mogi das Cruzes e Bertioga, ele constitui uma reserva ambiental da Suzano Papel e Celulose (antes, uma área destinada para produção de eucalipto). Atualmente, abriga mais de 1250 espécies da fauna e flora do bioma Mata Atlântica.

Entre as atividades oferecidas (camping, canoagem, bike e trilha) foi realizada uma trilha. A qual passou pela represa, destacando o olho d’água, forma antiga de separar o material sólido (sedimentos, assentados no meio da estrutura, passíveis de retirada para limpeza) da água. A cachoeira, onde um susto marcou a presença de uma jararaquinha, momento também de aprendizagem, em que a monitora do grupo informou um método para conferir se a cobra é venenosa: observar se acima das narinas dela há aberturas. Além do mirante com vista para a praia de Bertioga, as montanhas e Neblinas, de modo a fazer jus ao nome do ambiente “Parque das Neblinas”.



 Quando chegam ao local, os visitantes são apresentados a gastronomia com plantas nativas da Mata Atlântica. Nesse dia, o menu escolhido foi composto principalmente pelo suco de cambuci. Uma opção forte e nutritiva a qual proporcionou mais energia para iniciar a trilha e consciência sobre a riqueza de variedade alimentar pertencente ao bioma.

O momento de trilha, além de possibilitar o contato maior com a natureza e a compreensão de unidade entre o ser e os recursos naturais, como uma formação única e indistinguível, é uma somatória de conhecimentos tradicionais acerca da flora, fauna e relacionamento com o meio. Somente a observação da dinâmica natural transmite sabedoria e ensinamento sobre aspectos da vida. Como é o caso, por exemplo, da samambaia a qual passa a mensagem de que uma folha só desenrola após a outra ter concluído seu processo de desabrochar. Desse modo, na vida cada problema deve ser resolvido com calma, de cada vez e não tudo ao mesmo tempo.

Os participantes a todo momento são convidados para um banho de natureza. Como foi notado pelo chamado da guia para “sentir o sol”. A atividade é constituída em esticar as mãos, de olhos fechados, e permitir que a energia do sol entre no corpo, passe por todo o interior e libere pelos pés o peso e negatividade existentes. Mais que uma sensação, foi um instante de autoconhecimento e valorização do ato que é viver, apesar de todos os conflitos envolvidos nessa ação.




As áreas com menor presença de eucalipto (anteriormente uma das principais atividades econômicas desenvolvidas no terreno) indicam o maior desenvolvimento da flora, em que as plantas nativas conseguiram se apropriar com maior sucesso. Nesse sentido, foi destacada a importância do eucalipto em proporcionar as condições necessárias para o desenvolvimento das árvores da mata Atlântica nessa propriedade da Suzano Papel e Celulose. No que tange sombra, umidade, matéria orgânica; pois tal solo é pobre. Desse modo, assinando sua “sentença de morte” (os eucaliptos estão apodrecendo e estima-se que daqui a 100 anos, não existirão mais nesse espaço).

Outrossim, no percurso com mata mais fechada e terreno íngreme foi revelada uma triste ironia que uma espécie de samambaia, agora ameaçada e comércio ilegal, sofreu ao longo das últimas décadas. Ela quase foi extinta para servir de matéria prima na fabricação de vasos (comuns em várias casas) destinados a outras espécies de samambaias.

Ao concluir a trilha, banhar no rio, beber sua água mais que potável e escutar os sons dos elementos bióticos e abióticos na floresta, portanto, o indivíduo sai com o desejo de preservar e divulgar os conhecimentos adquiridos, ademais, todas as emoções vividas no Parque das Neblinas. Como uma ótima opção de ecoturismo, toda a dinâmica vivenciada no local passa a mensagem de conscientização e importância do contato com a rica e bela Mata Atlântica, além da valorização das coisas simples da vida.



Detalhes do trabalho de campo:
Data: 30/10/2019.
Disciplina: Recursos Naturais e Meio Ambiente.
Local: Parque das Neblinas.
Endereço: Rodovia Professor Francisco Ribeiro Nogueira, KM 85 - Zona Rural, Mogi das Cruzes - SP, 08765-000


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Desde que comecei a fazer psicoterapia (há dois anos) sempre me pergunto o porquê de não copiarmos o modelo de contato psicólogo-paciente (que consiste em encontros semanais de alguns minutos) nos outros relacionamentos. A sensação que eu tinha era de que se nos empenhássemos a seguir esse estilo haveria menos superficialidade nas principais relações humanas.

A consulta psicológica é um momento em que (geralmente) dois seres se encontram com objetivo de reduzir a dor do outro por meio de uma escuta empática, sem julgamento com comentários que guiam a uma reflexão maior. Sei que na vida real esses profissionais contam com um treinamento longo que os guiam na abordagem em consultório. Contudo, se a ideia geral de reunião para acolhimento das angústias e anseios fossem adotadas, seria possível entender mais as preocupações de alguém. Nunca tive um momento desse tipo, de sentar com algum familiar ou amigo e conversar sobre como me sinto, e pelo que percebo é assim com várias outras pessoas, não só comigo. É algo tão simples, mas que faz uma diferença enorme e que poderia fazer também.

É justamente sobre a importância dessa habilidade de escutar que Rubem Alves disserta no texto "escutatória":  
"Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil… Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma”. Daí a dificuldade: a gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer… Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos…".

Analiso, por fim, se nos relacionamos de maneira errada, ninguém ensina como devemos prosseguir. Simplesmente seguimos interagindo aleatoriamente, empurrando com a barriga (de qualquer jeito conforme a correria do dia), é como tocar alguém de raspão quando se poderia abraçar. Mantemos o contato superficial por uma convenção, assim parece que aturamos a companhia por ela simplesmente existir. O fato é que muitas vezes sabemos mais as preferências musicais de um amigo virtual do que a banda ou cor preferida de nosso irmão, falta um empenho quando se trata de conhecermos um indivíduo que aparentemente já conhecemos por fazer parte de nossas vidas, mas que no fim, não sabemos muitas coisas sobre, uma grande e infeliz ironia. 

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SOBRE MIM

SOBRE MIM
Sou uma pessoa tentando ser útil para a sociedade de modo a transformá-la. Vitória, 23 anos, bacharel em Gestão Ambiental pela USP, vegetariana, gym rat, calistênica iniciante e grande apreciadora da matemática, ciência, cérebro, animais, meio ambiente, livros e psicologia. Definitivamente diferente.

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