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Vitória Diniz. Tecnologia do Blogger.

O infinito e a vida



Vive-se no cenário atual uma emergente crise climática, cujo ônus não é dividido de forma democrática. A população pobre encontra-se em estado de vulnerabilidade sujeita a maiores riscos e incertezas. Nesse sentido, é necessário se pensar no espaço urbano como elemento por onde se mediam e são consumadas essas desigualdades, para que desta forma, medidas adaptativas sejam tomadas com o foco em reduzir as vulnerabilidades as quais estão expostos os indivíduos menos abastados. Assim, para alcançar tal objetivo, torna-se necessária a atenção dos governos locais quanto a problemática das mudanças climáticas.

A ocorrência de eventos climáticos extremos cada vez mais comuns, chamam a atenção para a importância de reestruturar não só o sistema de consumo que degrada, explora e reduz os recursos naturais, mas também como as populações administram e estruturam os seus espaços. Seguindo esse raciocínio, Lemos no artigo "Planejamento urbano para enfrentamento de riscos ambientais, redução de vulnerabilidade socio-climáticas e adaptação de cidades", afirma que os elementos que compõem a sociedade contemporânea, juntamente com a crise socioambiental exigem a reformulação do planejamento e projeto urbano, definindo e dando atenção as prioridades: populações mais vulneráveis. Aqui, cabe a importância de se definir a palavra vulnerabilidade, a qual se refere a capacidade de resiliência de populações e sistemas em frente a perturbações e crises, ou seja, pessoas vulneráveis são aquelas que convivem com a insegurança de não terem recursos adaptativos que proporcionem a plena recuperação diante de tais choques, de acordo com a obra "Uma revisão crítica sobre cidades e mudança climática: vinho velho em garrafa nova ou um novo paradigma de ação para a governança local?" de Martins. São justamente os indivíduos com menores condições financeiras que estão mais vulneráveis as consequências da crise climática por morarem e circularem em ambientes insalubres, muitas vezes por não terem outra opção.

Ademais, ao se falar de medidas adaptativas no espaço urbano, é imprescindível mencionar e relacionar o papel dos governos locais na gestão eficiente da infraestrutura e dos serviços públicos de bem-estar. Em relação a isso, Martins (na obra citada acima) ressalta o poder desses agentes públicos em mitigar desde a emissão de gases do efeito estufa (GEE) até a vulnerabilidade da sua população. O autor continua seu pensamento chamando a atenção a necessidade de sensibilidade governamental aos cidadãos que vivem sob maior risco (abrangendo não apenas os que moram em locais com risco ambiental, mas também os que se encontram em situação de rua, pois a vulnerabilidade urbana brasileira possui vários contornos). Assim, governos locais por estarem mais próximos de onde ocorrem e ocorrerão os impactos das mudanças climáticas são de extrema importância na implementação de políticas relativas a essa questão que visem a adaptação e mitigação.

Destarte, uma abordagem multidisciplinar focada na redução das vulnerabilidades com o apoio dos governos locais e vários outros atores (como a própria população) são fundamentais para criação de políticas públicas que proporcionem resiliência frente as crises e riscos que acompanham as mudanças climáticas. Quiçá, a infraestrutura urbana e consequentemente a sociedade, irá adquirir maior resistência quanto ao enfrentamento das crises, riscos e vulnerabilidades que assolam e limitam países como o Brasil.
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Glossário (dicionário) de termos: 
Destarte: assim, desta forma.
Ademais: além disso.
Abastados: ricos.
Mitigação: aliviar, reduzir, diminuir.
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HEMATOMAS

No chão da sala jaz um corpo inerte, sem vida. Perto dele há um rastro vermelho vindo do quarto, todo o percurso no qual se rastejou em fuga pedindo que sua vida fosse poupada. Acompanhei o primeiro golpe, seguido imediatamente por um grito implorando clemência. Com covardia não consegui encarar o desespero impresso nas faces daquela criatura. Imóvel assisti a todo o massacre me questionando se naquele momento eu era vítima ou cúmplice.  
Por mais contraditório que possa parecer, não foi o último golpe que o matou. Sua morte foi lenta e dolorosa: hematoma após hematoma o ser ficava mais fraco, até o ponto em que as lesões eram tantas, os ferimentos infeccionados ardiam e a pele arroxeada passou a ser corriqueira. Nesse estágio, qualquer outra facada não faria diferença, não havia mais um desejo pela vida. Julgo dizer que o primeiro golpe foi o mais doloroso (com ele vieram mentiras e indiferença culminando em falta de confiança), nunca esperou uma atitude daquela, não das pessoas (nós) que o tratavam com tamanho carinho.
Com as mãos tingidas de vermelho o assassino olhou satisfeito em minha direção, parecia não entender a gravidade dos seus atos, de quão letais eles eram. Por alguns segundos tomei como minha a culpa por isso, mas não era, em vários momentos tentei alertá-lo, chamar sua atenção, foi então que percebi: insistir não fazia diferença. Rendi-me, apavorada de braços cruzados, a essa realidade com coragem suficiente para ver, mas faltante ao ficar paralisada quando senti vontade de estar ao lado do organismo, lhe confortando, no fatídico instante que tossindo sangue deixou a vida. 
Aproximei-me dele e com um delicado toque horizontal sobre a pele fria, fechei definitivamente as pálpebras, suas funções vitais já haviam cessado e com elas partiram todos os bons sentimentos que antes tinha pelo assassino. De olhos arregalados contemplo o cadáver do nosso amor.
Autora: Vitória Souza Diniz (eu).

EXPLICAÇÃO:

O conto aborda, por meio de elementos metafóricos, a morte de um sentimento. O amor romântico, representado pelo ser que sofre as agressões, é assassinado por atitudes descritas, tais como mentiras, indiferença e falta de confiança, elementos por si só significativos para a destruição de um relacionamento. O eu lírico (quem narra a história), aqui simbolizado pela perspectiva feminina, não exclui o fato de também ter contribuído para o ocorrido (principalmente no momento em que afirma não saber se ocupa a posição de vítima ou cúmplice), porém, deixa claro que tentou alertar o assassino sobre os seus atos e, por fim, evidencia que sozinha não conseguiria salvar a criatura (que, no caso, representa o amor) e só restou a ela assistir toda aquela violência, pois relacionamentos (especialmente românticos) não são vias de mão única, dependem da dedicação de ambos os envolvidos.
*A cópia ou reprodução não autorizada ou referenciada de qualquer elemento do conto é plágio e consequentemente se configura como crime.





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Segundo o dicionário Aurélio, morte significa a "interrupção definitiva da vida de um organismo".

Todos os dias vemos nos noticiários de forma veemente a quantidade de vidas perdidas pelo corona vírus, números vazios e muitas vezes distantes. Mas, concretamente o que ela significa? O que seria morrer? como a morte é representada?

Na literatura e narrativas audiovisuais é representada por uma figura cadavérica com roupas pretas e uma foice. Cada detalhe da personificação demostra nas suas entrelinhas como nós, seres mortais, encaramos essa pequena palavra: com medo. Medo do vazio, das incertezas, de abandonar tudo e todos que conhecemos.

Contudo, para as famílias das milhares de pessoas que estão partindo diariamente, a morte é a ausência de um sorriso, um abraço perdido, uma cadeira vazia e o cessar da alegria. É a certeza de que jamais poderá ver ou tocar a pessoa, ouvir suas piadas ou as palavras chulas que tanto repetia, degustar um "cadim" do seu bolo, ter o seu consolo. Agora é um olhar distante de uma terra grande que já foi seu lar. 

  




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O Prêmio Sesc de literatura é um concurso literário que revela autores inéditos. Dividido em duas categorias (conto e romance), dois livros são premiados, os quais são distribuídos por uma editora conceituada e de grande porte: a Record. Dessa forma, o concurso insere os autores no mercado editorial e proporciona uma renovação no cenário nacional literário. 

Sinopse do livro:
"O doce e o amargo aborda temas tabus, tratados com delicadeza. A qualidade dos contos é vista em todas as frases, construídas de forma natural, mas criando poderosos efeitos. Os diálogos são ágeis e precisos. Há constantes reflexões percorrendo o texto, que nos atraem para o interior da narrativa e dos personagens, mantendo um tom ao mesmo tempo violento e suave.
O tema é universal: a morte e seus correlatos, em contraposição a um tênue amor. Há excelentes metáforas, e o texto evita bravamente qualquer lugar-comum. As conexões criam uma linha narrativa que não se rompe; a coerência interior é tal que torna o livro, em cada conto e como um todo, uma trama indissolúvel, mesmo que atravessada por extremos: o pesado e o leve, o onírico e o real, o doce e o amargo".




Entrevista

Quem é o João Gabriel?
"Eu sou eu, aquilo que leio e o que está no livro, ao mesmo tempo que eu também não sou aquelas coisas. O que há de mim nesse livro é metade referência e metade coração, ele é uma síntese bastante sugestiva sobre o que sou, sobre o que penso. O livro é amargo demais, muito mais do que doce". 
No mais o João, como um jovem normal, afirma gostar de esportes, de sair, prefere o dia muito mais do que à noite, além de morar em Juiz de fora.

E quanto ao livro, você já vinha escrevendo para o concurso ou surgiu a oportunidade e se inscreveu?
"Eu não tinha a pretensão de publicar um livro, uma colega falou que iria participar do prêmio e me sugeriu. Tinha uns arquivos no drive. Coloquei os contos que considerava melhores. Seis meses depois eu recebi a ligação, estava na universidade. Esse livro foi um acidente, não um projeto e isso explica algumas deficiências dele".

O que a escrita representa para você?
"Hoje em dia representa uma forma de sofrimento, porque antigamente era uma forma de elaborar o sofrimento, então era uma atividade muito espontânea e muito orientada pela paixão do momento. Era uma forma de projetar no meio externo os problemas do meio interno. Entra um fator que não existia antes: a exposição pública da obra, então isso acaba um pouco corrompendo a liberdade do fazer literário que eu acho o mais importante. Diante da página em branco a gente deveria estar sozinho. E estou aqui tentando recuperar a inocência pré-publicação. É uma noção que vai se modificando aos poucos. Como jovem eu tenho a tendência a acreditar que a escrita é uma forma de desafogar, por outro lado também é uma forma de criar beleza. É sempre um exercício de liberdade, de beleza, de desafogo". Por fim, cita Camus ao afirmar que o romance tem a cara do destino.

Algum dos contos foi baseado nas suas experiências?
"Muito do que está lá é um reflexo do que eu vivo. A literatura é o sinal de que existe vida ali. Factualmente quase nada ali diz respeito ao que eu já passei, mas em termo de vivência emocional de amadurecimento existencial. Acho que é um livro que fala muito sobre o que sou".

Qual dos contos mais te representa ou te toca?
"O que eu acho mais bonito é o segundo, na verdade ele é o mais importante do livro 'Ódio ou pais e filhos'. A ideia de amadurecimento se encontra em sua expressão máxima ali. Ele é o mais importante porque é sobre isso que o livro trata, sobre essa incerteza em relação a vida e sobre a necessidade de encontrar um suporte que é impossível. O rito de passagem é algo que atravessa muitos dos contos".

Como é ser um jovem escritor no Brasil?
"Olha eu ainda não sei. Publiquei, contudo ainda não criei um nicho de contato muito grande, converso com poucas pessoas sobre isso, não acompanho a crítica que venho recebendo, eu nem sei se eu venho recebendo alguma crítica ou se venho sido lido. Acho que não sou a melhor pessoa indicada para falar como é ser escritor no Brasil".

O que mudou na sua vida após ter ganhado o prêmio?
"Acho que hoje em dia eu fico me torturando mais para escrever. De resto eu sou a mesma pessoa. O legal é que eu descobri uma cena literária, que existem muitas pessoas escrevendo no país. É importante porque você acaba se sentindo muito sozinho nesse mundo de escrita e literatura, eu amadureci muito em termo de pensamento . Ter um cuidado que nem sempre é ruim, começa a ser mais cauteloso, para quem não tem muita segurança de si mesmo acho que isso às vezes é algo prejudicial. Se você não se sente tão deslocado você consegue aproveitar bem. Amadurecimento intelectual, pois sei que tem gente muito boa e eu tenho que ralar muito para chegar ao nível deles".

Qual a sua perspectiva para o futuro? O que você planeja?
"A ideia mesmo é caminhar sem saber onde vou chegar".


Você pode adquirir a obra clicando na imagem:


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Todos, de alguma forma, já ouviram ou usaram o acrônimo "TOC", porém em grande parte dos casos o uso foi incorreto de modo (intencional ou não) a banalizar e romantizar esse distúrbio. O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) tem como características principais a presença de obsessões (são pensamentos, imagens ou impulsos recorrentes que ocorrem de formas invasiva e indesejada) e/ou compulsões ("comportamentos repetitivos ou atos mentais que um indivíduo se sente compelido a executar em resposta a uma obsessão ou de acordo com regras que devem ser aplicadas rigidamente.").

Ao contrário do imaginário popular o TOC não é uma coisa simples e inofensiva. Gostar de lavar as mãos antes das refeições, ter manias de organização, prezar por simetria, separar as coisas por cores ou tamanhos  não significam que você tem o transtorno, a coisa é muito mais complexa que isso e eu agradeceria se parassem de brincar com algo sério. É importante destacar que o TOC causa sofrimento e não é voluntário. Ainda segundo o DSM-5, cerca de 50% dos indivíduos com o Transtorno Obsessivo Compulsivo apresentam ideação suicida e 1/4 efetivamente chega a tentar suicídio, ou seja, é extremamente grave.

No livro "Uma história de amor e TOC" (recomendo), são apresentados alguns casos de como o transtorno se manifesta. Para exemplificar e mostrar na prática que o TOC provavelmente não é o que você pensa irei apresentar dois personagens da obra: um deles possui como compulsão o ato de lavar as mãos exageradamente (passava horas no banheiro fazendo isso) até que elas começaram a despelar e malhar também de forma exagerada (passava mais de 8 horas na academia se exercitando). Sua estrutura física, o impulso mental de contar e fazer sempre tudo 8 vezes, e o comportamento de limpeza acabavam gerando um sentimento de repugnância e medo nas pessoas tanto é que ele não tinha amigos. Outro caso é o de uma garota que não conseguia dirigir a uma velocidade superior a 30km/h (compulsão) devido ao medo de atropelar alguém (obsessão) e com isso sempre que ela passava por uma criança (mesmo que esta estivesse na calçada) ou um cachorro, voltava várias vezes para conferir se os tinha atropelado, além de ter que parar em muitos momentos durante o trajeto a fim de conferir se não tinha alguém enganchado no carro ou alguma marca que indicasse que ela tinha atropelado alguém. 

Como sabem, eu sou uma admiradora da psicologia, mas não é apenas por esse motivo que escolhi falar sobre o distúrbio, há um mês minha psiquiatra me diagnosticou com TOC e a melhor forma de garantir que um transtorno não será minimizado é a informação. Em mim, essa disfunção se manifesta de diversas formas, mas não me sinto confortável ainda para falar sobre as mais pesadas. Uma das compulsões que sofro é a de limpeza, por exemplo, sempre antes de tocar em um dos meus livros eu preciso lavar as mãos 3 vezes e se eu tocar em algo no meio do caminho (qualquer coisa, até a maçaneta da porta), preciso voltar e repetir o processo. Isso interfere na minha vida, no último ano eu li pouquíssimos livros, estava diminuindo o meu prazer pela leitura e ler é uma das coisas que mais amo (isso sim, meus queridos, é TOC) e vai um pouco além, ao lavar as mão antes de qualquer refeição (esse ritual também se repetia) eu acabo usando o cotovelo ou o braço, em vez das mãos para pegar ou manusear algo. Além disso, sofro obsessões sobre coisas ruins que poderia fazer (como jogar o carro na frente de um caminhão, falar coisas absurdas a alguma autoridade, despir-me na frente de várias pessoas, tudo isso de forma involuntária) e imagens de situações tão pesadas que tenho o impulso de tampar os ouvidos e gritar comigo para parar, calar a boca e isso me leva a compulsões que não quero descrever aqui.

Como viram, o transtorno Obsessivo Compulsivo vai muito além de ter manias. Por fim, caso tenha se identificado com algo que foi descrito aqui, procure um profissional da área, não faça autodiagnóstico.  



Veja essa imagem em: iStock | Detalhes da licença
Criador: elenabs | Crédito: Getty Images/iStockphoto


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No início do ano falei sobre uma inquietação que é mais comum do que eu imaginava: o medo de ter escolhido o curso errado. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), cerca de 56% dos estudantes abandonam ou trocam de graduação, um valor bem alto.

Há alguns meses escrevi um post aqui no blog sobre a possibilidade de ter escolhido a graduação errada. Desbravando a fundo essa questão, com ajuda da psicoterapia e da minha infinita curiosidade por conhecimento, percebi que escolher um único caminho não seria a opção que me deixaria mais tranquila e "feliz".

O fato é que eu gosto e tenho habilidades em muitas áreas diferentes e quero trabalhar com a maior parte possível delas. Ao mesmo tempo que amo a matemática e tenho interesse em programação, sou apaixonada pela escrita (seja ficcional, jornalística, de artigos ou divulgação científica) e toda a cadeia de produção que a envolve, além do meu desejo de atuar na área ambiental, do prazer em criar desenhos que expressem meus sentimentos e o gosto pelo conhecimento tanto filosófico quanto psíquico. E está tudo bem ser assim. 

Diante disso, surge a necessidade de falarmos sobre a multipotencialidade, a qual basicamente é uma característica de pessoas com muitas habilidades e interesse em diferentes áreas. Ou seja, um curso nunca irá satisfazer esse indivíduo e sempre existirá a sensação de que poderia estar desenvolvendo outra habilidade (além de estar traindo as demais, rs). Foi exatamente o que ocorreu comigo, não adiantava trocar de graduação, a angústia continuaria ali presente, então notei: se estou em um dos meus campos de interesse e gosto dele, o mais sensato seria continuar minha formação mas trabalhar e ficar continuamente em contato com todas as outras, assim eu me sentiria melhor. Foi exatamente o que aconteceu.

A seguir, para embasar mais a discussão, apresento um vídeo do TED sobre multipotencialidade (aqui uma versão com legenda em português), que pode lhe fazer refletir ou ter maior consciência sobre o tópico:


Muitas vezes esse é o caso, contudo, isso não anula a desistência por falta de identificação com a carreira escolhida ou as matérias que a compõem, algo totalmente válido. Não é o fim do mundo trocar de graduação, mas tal atitude não pode ser impulsiva, pois as chances de se frustrar novamente serão altas.

Existe outro ponto cuja reflexão é pertinente: a insatisfação com o que está estudando é legítima ou vem de algo bem maior (como um momento difícil na vida)? Um exemplo bem simples é a minha situação, pois conversando com meu psicólogo notei que esse descontentamento não dizia respeito somente aos meus estudos, mas sim a vida no geral. Naquele momento eu estava enfrentando um episódio depressivo como pode ser concluído pela leitura de "Qual é realmente o problema?", precisava que algo desesperadamente me salvasse, daí veio o pensamento errôneo, hoje afirmo com total certeza, de não ter escolhido o melhor caminho. A graduação de Gestão Ambiental é uma das melhores coisas na minha vida. 

Mais do que nunca, entendo como essa dúvida é dolorosa, afinal é uma vida bem sucedida (fazendo algo por "amor") que está em jogo, aqui o erro não é permitido pois irá definir todo o nosso futuro, imaginamos. Todavia, isso está totalmente incorreto. Repito, por fim, a frase do filme "Mr. Nobody": "todo caminho é o caminho certo, tudo poderia ter sido outra coisa e teria o mesmo tanto de significado". 

Até as árvores evidenciam os caminhos. Qual você escolheria?
Até as árvores evidenciam os caminhos... Qual você escolheria?


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O Programa de Estímulo ao Ensino de Graduação (PEEG) diz respeito a uma bolsa no valor de 400 reais durante um semestre. É uma espécie de iniciação a docência em que, nesse período, o aluno desenvolve atividades com o intuito de auxiliar o docente orientador em tal disciplina, além de oferecer um suporte aos demais alunos a fim de facilitar o processo de aprendizagem. Em outras palavras, desempenha a função de monitor.

Para concorrer a bolsa, o candidato deve ter cursado anteriormente a disciplina, sendo aprovado nela com um ótimo desempenho. É necessário ter a disponibilidade de dedicação por 10 horas semanais. Ademais, a escolha do bolsista é baseada em dois fatores: a nota do graduando nessa matéria e a carta motivacional que precisa ser enviada. Em relação ao primeiro aspecto, a chance de aprovação é diretamente proporcional a performance, ou seja, quanto maior for o valor, melhores serão as chances de ser selecionado. O segundo critério, por outro lado, é mais subjetivo e pode-se explorar suas motivações, esperanças, desejos e objetivos em realizar tal atividade. 

Ao final do projeto, é necessário que o bolsista escreva um relatório sobre as atividades desempenhadas e como ocorreu todo processo. Ele é bem simples e o aluno deve se atentar em ser conciso, colocar em prática a habilidade de selecionar as informações mais importantes. 

Minha experiência:

Fui bolsista PEEG durante o primeiro semestre de 2020. Candidatei-me, no início do ano, para o processo seletivo da disciplina "Matemática para análise ambiental", a qual é basicamente cálculo I aplicado a área ambiental. Minha atividade como monitora ocorreu justamente nesse cenário caótico de pandemia, então toda a interação ficou limitada ao ambiente virtual. Assim, em relação a minha contribuição aos discentes, trabalhei com a indicação e disponibilização de materiais extras (como livros, vídeos, questões relacionadas resolvidas e aplicação no cotidiano dos conteúdos matemáticos teóricos), resolução das listas de exercícios, além de tirar dúvidas por e-mail e por reuniões no google meet. Meu suporte a professora da disciplina consistiu na resolução de listas, elaboração de planilhas-resumos sobre as notas e cálculo geral de desempenho individual.

Um fator muito importante nesse processo é a ligação com o orientador. No meu caso, a docente sempre se mostrou aberta a comunicação, sanação de dúvidas, orientando-me de forma acolhedora, o que tornou a dinâmica muito prazerosa de modo a participação na bolsa PEEG ter sido um dos principais fatores de sustentação e incentivo ao meu bem-estar emocional. Posso dizer com toda certeza que foi a melhor coisa que fiz no primeiro semestre deste ano.

Algumas informações:
Período de participação na bolsa: primeiro semestre de 2020 (a partir de março)
Valor total da bolsa: R$ 1200,00.
Minha nota na disciplina: 10.




Fonte: Pró-Reitoria de Graduação da USP - PRG USP. Disponível em:
  https://twitter.com/PRGUSP/status/1285650753034391552




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SOBRE MIM

SOBRE MIM
Sou uma pessoa tentando ser útil para a sociedade de modo a transformá-la. Vitória, 23 anos, bacharel em Gestão Ambiental pela USP, vegetariana, gym rat, calistênica iniciante e grande apreciadora da matemática, ciência, cérebro, animais, meio ambiente, livros e psicologia. Definitivamente diferente.

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