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Vitória Diniz. Tecnologia do Blogger.

O infinito e a vida

No início do ano falei sobre uma inquietação que é mais comum do que eu imaginava: o medo de ter escolhido o curso errado. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), cerca de 56% dos estudantes abandonam ou trocam de graduação, um valor bem alto.

Há alguns meses escrevi um post aqui no blog sobre a possibilidade de ter escolhido a graduação errada. Desbravando a fundo essa questão, com ajuda da psicoterapia e da minha infinita curiosidade por conhecimento, percebi que escolher um único caminho não seria a opção que me deixaria mais tranquila e "feliz".

O fato é que eu gosto e tenho habilidades em muitas áreas diferentes e quero trabalhar com a maior parte possível delas. Ao mesmo tempo que amo a matemática e tenho interesse em programação, sou apaixonada pela escrita (seja ficcional, jornalística, de artigos ou divulgação científica) e toda a cadeia de produção que a envolve, além do meu desejo de atuar na área ambiental, do prazer em criar desenhos que expressem meus sentimentos e o gosto pelo conhecimento tanto filosófico quanto psíquico. E está tudo bem ser assim. 

Diante disso, surge a necessidade de falarmos sobre a multipotencialidade, a qual basicamente é uma característica de pessoas com muitas habilidades e interesse em diferentes áreas. Ou seja, um curso nunca irá satisfazer esse indivíduo e sempre existirá a sensação de que poderia estar desenvolvendo outra habilidade (além de estar traindo as demais, rs). Foi exatamente o que ocorreu comigo, não adiantava trocar de graduação, a angústia continuaria ali presente, então notei: se estou em um dos meus campos de interesse e gosto dele, o mais sensato seria continuar minha formação mas trabalhar e ficar continuamente em contato com todas as outras, assim eu me sentiria melhor. Foi exatamente o que aconteceu.

A seguir, para embasar mais a discussão, apresento um vídeo do TED sobre multipotencialidade (aqui uma versão com legenda em português), que pode lhe fazer refletir ou ter maior consciência sobre o tópico:


Muitas vezes esse é o caso, contudo, isso não anula a desistência por falta de identificação com a carreira escolhida ou as matérias que a compõem, algo totalmente válido. Não é o fim do mundo trocar de graduação, mas tal atitude não pode ser impulsiva, pois as chances de se frustrar novamente serão altas.

Existe outro ponto cuja reflexão é pertinente: a insatisfação com o que está estudando é legítima ou vem de algo bem maior (como um momento difícil na vida)? Um exemplo bem simples é a minha situação, pois conversando com meu psicólogo notei que esse descontentamento não dizia respeito somente aos meus estudos, mas sim a vida no geral. Naquele momento eu estava enfrentando um episódio depressivo como pode ser concluído pela leitura de "Qual é realmente o problema?", precisava que algo desesperadamente me salvasse, daí veio o pensamento errôneo, hoje afirmo com total certeza, de não ter escolhido o melhor caminho. A graduação de Gestão Ambiental é uma das melhores coisas na minha vida. 

Mais do que nunca, entendo como essa dúvida é dolorosa, afinal é uma vida bem sucedida (fazendo algo por "amor") que está em jogo, aqui o erro não é permitido pois irá definir todo o nosso futuro, imaginamos. Todavia, isso está totalmente incorreto. Repito, por fim, a frase do filme "Mr. Nobody": "todo caminho é o caminho certo, tudo poderia ter sido outra coisa e teria o mesmo tanto de significado". 

Até as árvores evidenciam os caminhos. Qual você escolheria?
Até as árvores evidenciam os caminhos... Qual você escolheria?


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O Programa de Estímulo ao Ensino de Graduação (PEEG) diz respeito a uma bolsa no valor de 400 reais durante um semestre. É uma espécie de iniciação a docência em que, nesse período, o aluno desenvolve atividades com o intuito de auxiliar o docente orientador em tal disciplina, além de oferecer um suporte aos demais alunos a fim de facilitar o processo de aprendizagem. Em outras palavras, desempenha a função de monitor.

Para concorrer a bolsa, o candidato deve ter cursado anteriormente a disciplina, sendo aprovado nela com um ótimo desempenho. É necessário ter a disponibilidade de dedicação por 10 horas semanais. Ademais, a escolha do bolsista é baseada em dois fatores: a nota do graduando nessa matéria e a carta motivacional que precisa ser enviada. Em relação ao primeiro aspecto, a chance de aprovação é diretamente proporcional a performance, ou seja, quanto maior for o valor, melhores serão as chances de ser selecionado. O segundo critério, por outro lado, é mais subjetivo e pode-se explorar suas motivações, esperanças, desejos e objetivos em realizar tal atividade. 

Ao final do projeto, é necessário que o bolsista escreva um relatório sobre as atividades desempenhadas e como ocorreu todo processo. Ele é bem simples e o aluno deve se atentar em ser conciso, colocar em prática a habilidade de selecionar as informações mais importantes. 

Minha experiência:

Fui bolsista PEEG durante o primeiro semestre de 2020. Candidatei-me, no início do ano, para o processo seletivo da disciplina "Matemática para análise ambiental", a qual é basicamente cálculo I aplicado a área ambiental. Minha atividade como monitora ocorreu justamente nesse cenário caótico de pandemia, então toda a interação ficou limitada ao ambiente virtual. Assim, em relação a minha contribuição aos discentes, trabalhei com a indicação e disponibilização de materiais extras (como livros, vídeos, questões relacionadas resolvidas e aplicação no cotidiano dos conteúdos matemáticos teóricos), resolução das listas de exercícios, além de tirar dúvidas por e-mail e por reuniões no google meet. Meu suporte a professora da disciplina consistiu na resolução de listas, elaboração de planilhas-resumos sobre as notas e cálculo geral de desempenho individual.

Um fator muito importante nesse processo é a ligação com o orientador. No meu caso, a docente sempre se mostrou aberta a comunicação, sanação de dúvidas, orientando-me de forma acolhedora, o que tornou a dinâmica muito prazerosa de modo a participação na bolsa PEEG ter sido um dos principais fatores de sustentação e incentivo ao meu bem-estar emocional. Posso dizer com toda certeza que foi a melhor coisa que fiz no primeiro semestre deste ano.

Algumas informações:
Período de participação na bolsa: primeiro semestre de 2020 (a partir de março)
Valor total da bolsa: R$ 1200,00.
Minha nota na disciplina: 10.




Fonte: Pró-Reitoria de Graduação da USP - PRG USP. Disponível em:
  https://twitter.com/PRGUSP/status/1285650753034391552




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Muitas áreas de vegetação nativa só existem devido a presença de terras indígenas. Pude vivenciar isso de perto e é incrível o contato com esses povos, a maneira como cuidam da floresta. De lá eles tiram o material que irá constituir sua casa de reza, alimentar os animais, compor seus instrumentos, formar o artesanato cuja renda contribui para manter tal cultura viva.

Desconstrua a imagem de ser selvagem e isolado que os livros de história, a literatura do romantismo e a mídia formaram, um reflexo estereotipado de uma geração que ainda carrega o preconceito colonial. Conheci, por exemplo, um guarani jovem e diretor da escola local, apaixonado pela filosofia com o sonho de distribuir esse conhecimento a sua tribo. Sim, eles podem frequentar a escola (especial), terem equipamentos tecnológicos, falarem português, usar calça, comprar comida e ainda assim serem considerados povos indígenas. Pois, mesmo que a cultura do "jurua" (não indígena) esteja presente no dia a dia deles, o conhecimento, rituais e todas as coisas que carregam devem ser preservadas. 

Nessa aldeia guarani o tempo passa de forma diferente. Somos convidados a viver o agora, sem hora marcada para nada. Mesmo dessa maneira tudo ocorre no tempo certo e de forma natural. Acordamos com os galos cantando e logo sentimos a preparação das refeições.

Uma experiência que tinha como objetivo conhecer o outro e seu modo de vida, proporcionou algo além disso. Tudo nos direcionava para o questionamento do jeito que vivemos, momentos de autoconhecimento e transformação pessoal. A felicidade, nesse ambiente, é tratada como algo simples e ao nosso alcance. A natureza já nos oferece os recursos que precisamos, só devemos ter consciência disso.

Uma sensação de paz e leveza abraçava todos os meus medos e sofrimentos. Senti que a minha dor foi acolhida naquele lugar. Numa cidade tão grande e cheia e de pessoas como São Paulo, ali vivi o sentimento de ser especial e útil para aquele povo.

Fui tão bem recebida que não queria ir embora. Se pertenço a algum espaço é a natureza. Quero repetir essa experiência a quantidade de vezes possíveis, conhecer outras culturas, relacionar-me profundamente com a fauna e a flora, e ter minhas angústias compreendidas pelo silêncio do vento que corta as folhas das árvores, as águas do mar e as rochas das cachoeiras. Quero principalmente reviver esse sentimento de liberdade, sentir ser livre para desfrutar a felicidade.

Localização da aldeia: Avenida Tupi Guarani, Bertioga - SP, 11250-000.
Duração do trabalho: de 07/06 a 09/06.
Disciplina: Sociedade, Multiculturalismo e Direito (Cultura Digital).


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Ser aprovada(o) na melhor universidade pública da América latina é uma conquista árdua, contudo, para uma parcela dos ingressantes esse é  só o início do desafio. Segundo o jornal do Campus, em 2019, 40% dos calouros da USP vieram de escola pública, entre eles a maioria possui baixa renda e, consequentemente, enfrenta dificuldades para permanecer na graduação.

Semelhante a esses jovens, também estudei em escola pública a minha vida inteira e, como vim da Bahia, minha família teria dificuldade para me manter em São Paulo. Devido esse motivo, solicitei e fui contemplada pelos auxílios (tanto emergencial, quanto efetivo) oferecidos pela Universidade de São Paulo. Ainda na época de vestibulanda (no ano passado, 2018), confiava minha sobrevivência na cidade garantida pelo Programa de Permanência e Formação Estudantil (PAPFE) e ansiei por todas as informações possíveis relatadas pelos próprios beneficiados — alunos de graduação com dificuldades para se manter na universidade. Dessa forma, esse post tem o objetivo de relatar minha experiência, de modo a proporcionar maior segurança aos futuros uspianos, afinal a USP é para todos.

A maior dificuldade que enfrentei nesse processo foi a digitalização dos documentos (uma lista imensa), já que entrei em contato várias vezes com a Secretaria de Assistência Social (SAS) do meu campus, a EACH, tirando todas as minhas dúvidas. Nesse sentido, a primeira dica é procurar se informar sobre qualquer questão com os atendentes do SAS. É importante ressaltar também, que tais benefícios somente são oferecidos (nesse nível de graduação) para indivíduos que não se formaram em nenhum outro curso superior.

Entre os recursos para manutenção do indivíduo, alguns são disponibilizados financeiramente, mas para ser contemplado, além da questão social, é necessário possuir conta corrente no banco do Brasil, sendo o titular dela. Ao iniciar minha formação, eu já possuía conta salário nessa instituição, entretanto, tive que correr a fim de transferi-la para corrente e, no final a que eu tinha também servia. Segunda dica: abra uma conta no Banco do Brasil, de preferência ela deve ser corrente.

 No meu caso não ocorreu nenhuma entrevista individual com a assistente social. Após realizar a inscrição (anexar os arquivos, preencher as informações e justificar a necessidade de recebe-los), em poucos dias recebi a confirmação do auxílio emergencial (março). O resultado efetivo dos auxílios, todavia, só é divulgado no final de abril para o aluno receber seus benefícios a partir de maio, por isso, a inscrição com antecedência (já em fevereiro) é importante afim de garantir a permanência do estudante até o resultado oficial (terceira recomendação).





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SOBRE MIM

SOBRE MIM
Sou uma pessoa tentando ser útil para a sociedade de modo a transformá-la. Vitória, 23 anos, bacharel em Gestão Ambiental pela USP, vegetariana, gym rat, calistênica iniciante e grande apreciadora da matemática, ciência, cérebro, animais, meio ambiente, livros e psicologia. Definitivamente diferente.

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