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Vitória Diniz. Tecnologia do Blogger.

O infinito e a vida


O Prêmio Sesc de literatura é um concurso literário que revela autores inéditos. Dividido em duas categorias (conto e romance), dois livros são premiados, os quais são distribuídos por uma editora conceituada e de grande porte: a Record. Dessa forma, o concurso insere os autores no mercado editorial e proporciona uma renovação no cenário nacional literário. 

Sinopse do livro:
"O doce e o amargo aborda temas tabus, tratados com delicadeza. A qualidade dos contos é vista em todas as frases, construídas de forma natural, mas criando poderosos efeitos. Os diálogos são ágeis e precisos. Há constantes reflexões percorrendo o texto, que nos atraem para o interior da narrativa e dos personagens, mantendo um tom ao mesmo tempo violento e suave.
O tema é universal: a morte e seus correlatos, em contraposição a um tênue amor. Há excelentes metáforas, e o texto evita bravamente qualquer lugar-comum. As conexões criam uma linha narrativa que não se rompe; a coerência interior é tal que torna o livro, em cada conto e como um todo, uma trama indissolúvel, mesmo que atravessada por extremos: o pesado e o leve, o onírico e o real, o doce e o amargo".




Entrevista

Quem é o João Gabriel?
"Eu sou eu, aquilo que leio e o que está no livro, ao mesmo tempo que eu também não sou aquelas coisas. O que há de mim nesse livro é metade referência e metade coração, ele é uma síntese bastante sugestiva sobre o que sou, sobre o que penso. O livro é amargo demais, muito mais do que doce". 
No mais o João, como um jovem normal, afirma gostar de esportes, de sair, prefere o dia muito mais do que à noite, além de morar em Juiz de fora.

E quanto ao livro, você já vinha escrevendo para o concurso ou surgiu a oportunidade e se inscreveu?
"Eu não tinha a pretensão de publicar um livro, uma colega falou que iria participar do prêmio e me sugeriu. Tinha uns arquivos no drive. Coloquei os contos que considerava melhores. Seis meses depois eu recebi a ligação, estava na universidade. Esse livro foi um acidente, não um projeto e isso explica algumas deficiências dele".

O que a escrita representa para você?
"Hoje em dia representa uma forma de sofrimento, porque antigamente era uma forma de elaborar o sofrimento, então era uma atividade muito espontânea e muito orientada pela paixão do momento. Era uma forma de projetar no meio externo os problemas do meio interno. Entra um fator que não existia antes: a exposição pública da obra, então isso acaba um pouco corrompendo a liberdade do fazer literário que eu acho o mais importante. Diante da página em branco a gente deveria estar sozinho. E estou aqui tentando recuperar a inocência pré-publicação. É uma noção que vai se modificando aos poucos. Como jovem eu tenho a tendência a acreditar que a escrita é uma forma de desafogar, por outro lado também é uma forma de criar beleza. É sempre um exercício de liberdade, de beleza, de desafogo". Por fim, cita Camus ao afirmar que o romance tem a cara do destino.

Algum dos contos foi baseado nas suas experiências?
"Muito do que está lá é um reflexo do que eu vivo. A literatura é o sinal de que existe vida ali. Factualmente quase nada ali diz respeito ao que eu já passei, mas em termo de vivência emocional de amadurecimento existencial. Acho que é um livro que fala muito sobre o que sou".

Qual dos contos mais te representa ou te toca?
"O que eu acho mais bonito é o segundo, na verdade ele é o mais importante do livro 'Ódio ou pais e filhos'. A ideia de amadurecimento se encontra em sua expressão máxima ali. Ele é o mais importante porque é sobre isso que o livro trata, sobre essa incerteza em relação a vida e sobre a necessidade de encontrar um suporte que é impossível. O rito de passagem é algo que atravessa muitos dos contos".

Como é ser um jovem escritor no Brasil?
"Olha eu ainda não sei. Publiquei, contudo ainda não criei um nicho de contato muito grande, converso com poucas pessoas sobre isso, não acompanho a crítica que venho recebendo, eu nem sei se eu venho recebendo alguma crítica ou se venho sido lido. Acho que não sou a melhor pessoa indicada para falar como é ser escritor no Brasil".

O que mudou na sua vida após ter ganhado o prêmio?
"Acho que hoje em dia eu fico me torturando mais para escrever. De resto eu sou a mesma pessoa. O legal é que eu descobri uma cena literária, que existem muitas pessoas escrevendo no país. É importante porque você acaba se sentindo muito sozinho nesse mundo de escrita e literatura, eu amadureci muito em termo de pensamento . Ter um cuidado que nem sempre é ruim, começa a ser mais cauteloso, para quem não tem muita segurança de si mesmo acho que isso às vezes é algo prejudicial. Se você não se sente tão deslocado você consegue aproveitar bem. Amadurecimento intelectual, pois sei que tem gente muito boa e eu tenho que ralar muito para chegar ao nível deles".

Qual a sua perspectiva para o futuro? O que você planeja?
"A ideia mesmo é caminhar sem saber onde vou chegar".


Você pode adquirir a obra clicando na imagem:


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Todos, de alguma forma, já ouviram ou usaram o acrônimo "TOC", porém em grande parte dos casos o uso foi incorreto de modo (intencional ou não) a banalizar e romantizar esse distúrbio. O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) tem como características principais a presença de obsessões (são pensamentos, imagens ou impulsos recorrentes que ocorrem de formas invasiva e indesejada) e/ou compulsões ("comportamentos repetitivos ou atos mentais que um indivíduo se sente compelido a executar em resposta a uma obsessão ou de acordo com regras que devem ser aplicadas rigidamente.").

Ao contrário do imaginário popular o TOC não é uma coisa simples e inofensiva. Gostar de lavar as mãos antes das refeições, ter manias de organização, prezar por simetria, separar as coisas por cores ou tamanhos  não significam que você tem o transtorno, a coisa é muito mais complexa que isso e eu agradeceria se parassem de brincar com algo sério. É importante destacar que o TOC causa sofrimento e não é voluntário. Ainda segundo o DSM-5, cerca de 50% dos indivíduos com o Transtorno Obsessivo Compulsivo apresentam ideação suicida e 1/4 efetivamente chega a tentar suicídio, ou seja, é extremamente grave.

No livro "Uma história de amor e TOC" (recomendo), são apresentados alguns casos de como o transtorno se manifesta. Para exemplificar e mostrar na prática que o TOC provavelmente não é o que você pensa irei apresentar dois personagens da obra: um deles possui como compulsão o ato de lavar as mãos exageradamente (passava horas no banheiro fazendo isso) até que elas começaram a despelar e malhar também de forma exagerada (passava mais de 8 horas na academia se exercitando). Sua estrutura física, o impulso mental de contar e fazer sempre tudo 8 vezes, e o comportamento de limpeza acabavam gerando um sentimento de repugnância e medo nas pessoas tanto é que ele não tinha amigos. Outro caso é o de uma garota que não conseguia dirigir a uma velocidade superior a 30km/h (compulsão) devido ao medo de atropelar alguém (obsessão) e com isso sempre que ela passava por uma criança (mesmo que esta estivesse na calçada) ou um cachorro, voltava várias vezes para conferir se os tinha atropelado, além de ter que parar em muitos momentos durante o trajeto a fim de conferir se não tinha alguém enganchado no carro ou alguma marca que indicasse que ela tinha atropelado alguém. 

Como sabem, eu sou uma admiradora da psicologia, mas não é apenas por esse motivo que escolhi falar sobre o distúrbio, há um mês minha psiquiatra me diagnosticou com TOC e a melhor forma de garantir que um transtorno não será minimizado é a informação. Em mim, essa disfunção se manifesta de diversas formas, mas não me sinto confortável ainda para falar sobre as mais pesadas. Uma das compulsões que sofro é a de limpeza, por exemplo, sempre antes de tocar em um dos meus livros eu preciso lavar as mãos 3 vezes e se eu tocar em algo no meio do caminho (qualquer coisa, até a maçaneta da porta), preciso voltar e repetir o processo. Isso interfere na minha vida, no último ano eu li pouquíssimos livros, estava diminuindo o meu prazer pela leitura e ler é uma das coisas que mais amo (isso sim, meus queridos, é TOC) e vai um pouco além, ao lavar as mão antes de qualquer refeição (esse ritual também se repetia) eu acabo usando o cotovelo ou o braço, em vez das mãos para pegar ou manusear algo. Além disso, sofro obsessões sobre coisas ruins que poderia fazer (como jogar o carro na frente de um caminhão, falar coisas absurdas a alguma autoridade, despir-me na frente de várias pessoas, tudo isso de forma involuntária) e imagens de situações tão pesadas que tenho o impulso de tampar os ouvidos e gritar comigo para parar, calar a boca e isso me leva a compulsões que não quero descrever aqui.

Como viram, o transtorno Obsessivo Compulsivo vai muito além de ter manias. Por fim, caso tenha se identificado com algo que foi descrito aqui, procure um profissional da área, não faça autodiagnóstico.  



Veja essa imagem em: iStock | Detalhes da licença
Criador: elenabs | Crédito: Getty Images/iStockphoto


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No início do ano falei sobre uma inquietação que é mais comum do que eu imaginava: o medo de ter escolhido o curso errado. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), cerca de 56% dos estudantes abandonam ou trocam de graduação, um valor bem alto.

Há alguns meses escrevi um post aqui no blog sobre a possibilidade de ter escolhido a graduação errada. Desbravando a fundo essa questão, com ajuda da psicoterapia e da minha infinita curiosidade por conhecimento, percebi que escolher um único caminho não seria a opção que me deixaria mais tranquila e "feliz".

O fato é que eu gosto e tenho habilidades em muitas áreas diferentes e quero trabalhar com a maior parte possível delas. Ao mesmo tempo que amo a matemática e tenho interesse em programação, sou apaixonada pela escrita (seja ficcional, jornalística, de artigos ou divulgação científica) e toda a cadeia de produção que a envolve, além do meu desejo de atuar na área ambiental, do prazer em criar desenhos que expressem meus sentimentos e o gosto pelo conhecimento tanto filosófico quanto psíquico. E está tudo bem ser assim. 

Diante disso, surge a necessidade de falarmos sobre a multipotencialidade, a qual basicamente é uma característica de pessoas com muitas habilidades e interesse em diferentes áreas. Ou seja, um curso nunca irá satisfazer esse indivíduo e sempre existirá a sensação de que poderia estar desenvolvendo outra habilidade (além de estar traindo as demais, rs). Foi exatamente o que ocorreu comigo, não adiantava trocar de graduação, a angústia continuaria ali presente, então notei: se estou em um dos meus campos de interesse e gosto dele, o mais sensato seria continuar minha formação mas trabalhar e ficar continuamente em contato com todas as outras, assim eu me sentiria melhor. Foi exatamente o que aconteceu.

A seguir, para embasar mais a discussão, apresento um vídeo do TED sobre multipotencialidade (aqui uma versão com legenda em português), que pode lhe fazer refletir ou ter maior consciência sobre o tópico:


Muitas vezes esse é o caso, contudo, isso não anula a desistência por falta de identificação com a carreira escolhida ou as matérias que a compõem, algo totalmente válido. Não é o fim do mundo trocar de graduação, mas tal atitude não pode ser impulsiva, pois as chances de se frustrar novamente serão altas.

Existe outro ponto cuja reflexão é pertinente: a insatisfação com o que está estudando é legítima ou vem de algo bem maior (como um momento difícil na vida)? Um exemplo bem simples é a minha situação, pois conversando com meu psicólogo notei que esse descontentamento não dizia respeito somente aos meus estudos, mas sim a vida no geral. Naquele momento eu estava enfrentando um episódio depressivo como pode ser concluído pela leitura de "Qual é realmente o problema?", precisava que algo desesperadamente me salvasse, daí veio o pensamento errôneo, hoje afirmo com total certeza, de não ter escolhido o melhor caminho. A graduação de Gestão Ambiental é uma das melhores coisas na minha vida. 

Mais do que nunca, entendo como essa dúvida é dolorosa, afinal é uma vida bem sucedida (fazendo algo por "amor") que está em jogo, aqui o erro não é permitido pois irá definir todo o nosso futuro, imaginamos. Todavia, isso está totalmente incorreto. Repito, por fim, a frase do filme "Mr. Nobody": "todo caminho é o caminho certo, tudo poderia ter sido outra coisa e teria o mesmo tanto de significado". 

Até as árvores evidenciam os caminhos. Qual você escolheria?
Até as árvores evidenciam os caminhos... Qual você escolheria?


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O Programa de Estímulo ao Ensino de Graduação (PEEG) diz respeito a uma bolsa no valor de 400 reais durante um semestre. É uma espécie de iniciação a docência em que, nesse período, o aluno desenvolve atividades com o intuito de auxiliar o docente orientador em tal disciplina, além de oferecer um suporte aos demais alunos a fim de facilitar o processo de aprendizagem. Em outras palavras, desempenha a função de monitor.

Para concorrer a bolsa, o candidato deve ter cursado anteriormente a disciplina, sendo aprovado nela com um ótimo desempenho. É necessário ter a disponibilidade de dedicação por 10 horas semanais. Ademais, a escolha do bolsista é baseada em dois fatores: a nota do graduando nessa matéria e a carta motivacional que precisa ser enviada. Em relação ao primeiro aspecto, a chance de aprovação é diretamente proporcional a performance, ou seja, quanto maior for o valor, melhores serão as chances de ser selecionado. O segundo critério, por outro lado, é mais subjetivo e pode-se explorar suas motivações, esperanças, desejos e objetivos em realizar tal atividade. 

Ao final do projeto, é necessário que o bolsista escreva um relatório sobre as atividades desempenhadas e como ocorreu todo processo. Ele é bem simples e o aluno deve se atentar em ser conciso, colocar em prática a habilidade de selecionar as informações mais importantes. 

Minha experiência:

Fui bolsista PEEG durante o primeiro semestre de 2020. Candidatei-me, no início do ano, para o processo seletivo da disciplina "Matemática para análise ambiental", a qual é basicamente cálculo I aplicado a área ambiental. Minha atividade como monitora ocorreu justamente nesse cenário caótico de pandemia, então toda a interação ficou limitada ao ambiente virtual. Assim, em relação a minha contribuição aos discentes, trabalhei com a indicação e disponibilização de materiais extras (como livros, vídeos, questões relacionadas resolvidas e aplicação no cotidiano dos conteúdos matemáticos teóricos), resolução das listas de exercícios, além de tirar dúvidas por e-mail e por reuniões no google meet. Meu suporte a professora da disciplina consistiu na resolução de listas, elaboração de planilhas-resumos sobre as notas e cálculo geral de desempenho individual.

Um fator muito importante nesse processo é a ligação com o orientador. No meu caso, a docente sempre se mostrou aberta a comunicação, sanação de dúvidas, orientando-me de forma acolhedora, o que tornou a dinâmica muito prazerosa de modo a participação na bolsa PEEG ter sido um dos principais fatores de sustentação e incentivo ao meu bem-estar emocional. Posso dizer com toda certeza que foi a melhor coisa que fiz no primeiro semestre deste ano.

Algumas informações:
Período de participação na bolsa: primeiro semestre de 2020 (a partir de março)
Valor total da bolsa: R$ 1200,00.
Minha nota na disciplina: 10.




Fonte: Pró-Reitoria de Graduação da USP - PRG USP. Disponível em:
  https://twitter.com/PRGUSP/status/1285650753034391552




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Entre o acervo de filmes disponíveis na 9º mostra da Ecofalante, um em especial chamou a minha atenção: “O custo do vício digital”. Geralmente o Vale do Silício é tratado pela mídia como um exemplo de desenvolvimento tecnológico, contudo o documentário mostrou o lado obscuro. Os componentes da fabricação de computadores no final do século XX causou uma série de contaminações existentes até hoje: em um bairro residencial próximo, todos os moradores tiveram câncer devido a contaminação do solo e do lençol freático. Nos trabalhadores dessas empresas as consequências não foram diferentes, uma moça que engravidou durante o período do trabalho, cuja função consistia em manipular substâncias radioativas sem saber (porque a empresa não explicava a procedência do material) relata os problemas de desenvolvimento que seu filho teve (nasceu com uma série de deficiências, inclusive mental). A ironia é que com a expansão desses casos e a dinâmica do capitalismo, as grandes empresas de tecnologia, como a apple, espalharam em países menos desenvolvidos a matriz de produção. Isso me fez lembrar do documentário “Ken Saro-Wiwa, presente!”, pois em ambos degradar, poluir e explorar o território do outro (por ser menos abastado) é legítimo e aceitável, enquanto que o deles deve ser poupado e protegido por uma legislação mais rígida.

Além disso, a China é mostrada como uma das maiores indústrias produtoras de eletrônicos. Os benefícios disso, todavia, se concentram apenas nos ganhos financeiros dos patrões e governantes, enquanto que os empregados são obrigados a aguentar péssimas condições de trabalho com jornadas exaustivas, recebendo um pequeno salário. Tais condições são refletidas nas altas taxas de suicídio, consumado dentro até da própria empresa. Por fim, há o total despejo de poluentes químicos nos rios e o descarte incorreto de materiais radioativos que colocam em risco a vida de milhares de famílias pobres de catadores, as quais vivem em meio a todos esses resíduos. 

O que mais me choca nisso tudo é a total alienação de muitos consumidores que sem o menor interesse na perversidade ambiental e social da cadeia produtiva de equipamentos tecnológicos, consomem exageradamente e trocam seus aparelhos em curtos períodos de tempo, sem nem tentar prolongar a vida útil deles. Seriam essas pessoas tão culpadas quanto os empresários que permitem a poluição? E você? Não acha que está na hora de repensar o seu consumo?

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No início do ano encontrei o Estoicismo, uma filosofia que me fascinou muito e despertou o desejo de adotá-la para minha vida. Foi nesse momento que me dei conta de como o conhecimento filosófico poderia ajudar a lidar melhor com várias questões do meu dia a dia e, principalmente, com os transtornos psíquicos que sofro. Então, gostaria de compartilhar alguns ensinamentos da leitura do livro "Sobre a brevidade da vida", escrito pelo filósofo Sêneca na forma de carta-ensaio destinado para seu amigo Paulino.

Tal pensador, nessa obra, reflete e questiona como é utilizado o bem mais precioso que temos: o tempo. Segundo ele, cometemos o erro de desperdiçar horas com atividades banais, seja pelo excesso de trabalho que nos torna escravos do ofício e limita o tempo livre, seja por distrações. Enquanto poderíamos nos dedicar ao nosso próprio melhoramento pessoal.
   
"A vida, se você souber usá-la, é longa".
"Você não tem vergonha de reservar para si mesmo apenas o remanescente da vida, e separar para a sabedoria apenas o tempo que não pode ser dedicado a qualquer negócio? Viver apenas quando devemos deixar de viver!".
"O maior obstáculo para a vida é a expectativa, que depende do amanhã e do desperdício do hoje".
"Encontramos a morte quando ainda estamos nos preparando para viver".
"Não é que tenhamos um curto espaço de tempo, mas que desperdiçamos muito dele. A vida é longa o suficiente, e foi dada em medida suficientemente generosa para permitir a realização das maiores coisas, se a totalidade dela estiver bem investida".
"Não há nada que o homem ocupado esteja menos ocupado do que em viver. [...] Todo mundo apressa sua vida e sofre de um anseio pelo futuro e um cansaço do presente".
"O adiamento é o maior desperdício da vida".
"A vida é dividida em três períodos — aquilo que foi, aquilo que é, aquilo que será. Destes o tempo presente é curto, o futuro é duvidoso, o passado é certo". 

Um dos melhores investimentos que alguém pode fazer, de acordo com Sêneca, é no conhecimento. A filosofia pode tornar o ser imortal, visto que os ensinamentos, reflexões e pensamentos somam a existência. Além disso, os filósofos, mesmo os fisicamente mortos, estão disponíveis para consulta independente do período.  

"Dentre todos os homens, somente são ociosos os que estão disponíveis para a sabedoria; eles são os únicos a viver, pois, não apenas administram bem sua vida, mas acrescentam-lhe toda a eternidade".
"Nenhum destes (filósofos) lhe forçará a morrer, mas todos lhe ensinarão como morrer; nenhum destes irá desgastar seus anos, mas cada um adicionará seus próprios anos ao seu. [...] Nós podemos ser os filhos de quem quisermos. Existem famílias do mais nobre intelecto; escolha aquela em que você deseja ser adotado".

Ademais, disserta sobre uma questão comum a muitas pessoas: a dedicação a algo que não os representa, a qual acaba sendo uma condenação. E isso, na minha opinião, envolve muitas coisas tais como a persistência (geralmente) por comodismo ou medo em um curso ou profissão que não gosta, nem faz sentido para o indivíduo. Atrevo-me ainda a ir além, aplica-se também a pessoas que insistem em relacionamentos (amorosos, com amigos, familiares) que só consomem suas vidas e energias, no fim deixarão um sentimento de frustração por ter vivido em função do outro ignorando seus sonhos e ideais.  

"A condição de todos os ocupados é miserável, mas a mais desgraçada é a condição daqueles que trabalham com ocupações que nem sequer são suas, que regulam o seu sono pelo de outro, a sua caminhada pelo ritmo do outro, que estão sob ordens no caso das coisas mais livres do mundo — amar e odiar. Se estes desejam  saber quão breve é a sua vida, que considerem quão insignificante é a parte que lhes cabe".

Nenhum instante da vida voltará, cabe a nós escolher (e nisto vem a responsabilidade da opção adotada) como investir nosso tempo. Nem sempre conseguiremos seguir fielmente as ideias de Sêneca, afinal somos seres humanos e o erro é comum, mas na maior parte do tempo podemos fazer mais pela vida e não somente deixar que ela escorra sobre nossos dedos.

"No entanto, ninguém vai trazer de volta os anos, ninguém lhe dará mais uma vez a si mesmo. A vida seguirá o caminho iniciado, e não reverterá nem verificará seu curso".

Se ficou curioso para conhecer mais sobre os ensinamentos do estoicismo, eu recomendo a leitura do artigo escrito na plataforma Medium, por Sabrina de Andrade "O que é estoicismo?" e também "Estoicismo diário" da mesma autora.

Você pode adquirir o livro físico na Amazon pelo link: https://amzn.to/2zOAc5n  ou o e-book: https://amzn.to/2zGL2ul (comprando pelos links você ajuda o blog ❤️).
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É fato que as mudanças climáticas são uma realidade já presente no nosso dia a dia, a questão não é mais como evitar sua ocorrência, mas sim maneiras de lidar melhor com suas consequências de modo a minimizar os impactos. Ou seja, não é um evento que pode acontecer, ele já ocorre. Contudo, algo muito recorrente, na atualidade, é a postura que nega a relação do envolvimento humano como agravador da questão climática. Por esse motivo, é fundamental o contínuo debate e divulgação científica nessa área.

OS OCEANOS

Antes de apontar ou derrubar argumentos e evidências, é necessário entender o papel dos oceanos em meio a tudo isso. Eles exercem uma importante função de regulação do clima global, redistribuindo a energia que chega em excesso na região tropical e levando-a até as regiões polares onde há um déficit. Nas palavras de Ilana Wainer (professora no Departamento de Oceanografia Física do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo) é "como um ar condicionado do planeta", no que se refere a circulação de calor.

Com o derretimento das geleiras (consequência direta da alteração no clima, principalmente por elevação da temperatura) o oceano acaba sendo menos eficiente na redistribuição de calor, assim os mecanismos de circulação de água e transferência de energia térmica entre os hemisférios poderão sofrer muito com as mudanças climáticas.

TEMPERATURA

O efeito estufa é o principal mecanismo responsável pela manutenção do aquecimento do planeta. Todo esse processo funciona basicamente da seguinte forma: A atmosfera terrestre possui e é composta por vários gases (um conjunto de partículas microscópicas que se movimentam constantemente). Cuja função, de forma simplificada, é permitir a passagem de radiação solar e absorver a radiação infravermelha térmica (popularmente conhecida como calor) emitida pela Terra. Assim, o efeito estufa mantém a temperatura do planeta em cerca de 15 ºC, de modo a garantir condições adequadas para existência de vida. Pois sem ele a temperatura da Terra seria -18 ºC.

O problema é que com o aumento da emissão de gases do efeito estufa (GEE), em consequência da atividade humana, todo esse processo é intensificado. Seguindo o raciocínio físico abordado pelo site de meteorologia do IAG USP: "quanto maior for a concentração de gases, maior será o aprisionamento do calor, e consequentemente mais alta a temperatura média do globo terrestre".

Tal pensamento pode ser comprovado analisando o aumento cada vez maior de dióxido de carbono em média global sobre os locais de superfície marinha:
Recente média mensal global de CO2. Onde o valor mais recente (fevereiro de 2020) registra 413,22 ppm.
Fonte: https://www.esrl.noaa.gov/gmd/ccgg/trends/global.html.
Como visto acima, 413,22 ppm é a quantidade de CO2 registrada em fevereiro, enquanto que em 1980, esse valor era de pouco mais de 340 ppm, ou seja, em menos de um século chegamos a registrar quase 80 ppm a mais.
Média mensal global de CO2  registrada entre 1980 e 2020.
Fonte: https://www.esrl.noaa.gov/gmd/ccgg/trends/global.html.



EVIDÊNCIAS

Segundo o portal do clima da NASA as principais evidências (muitas das quais podem ser confirmadas no artigo feito pela BBC) que comprovam as mudanças climáticas são:

  • Aumento da temperatura global;
  • Oceanos em aquecimento, ;
  • Encolhimento das folhas de gelo;
  • Geleiras estão recuando;
  • Diminuição da cobertura de neve;
  • Elevação do nível do mar;
  • Gelo do mar Ártico em declínio;
  • Eventos recordes de alta temperatura;
  • Acidificação do oceano;
DERRUBANDO O NEGACIONISMO CLIMÁTICO

Um "argumento" que o movimento negacionista aponta é a ocorrência, no contexto paleoclimático passado, de mudanças no nível do mar e clima da Terra, o que para eles legitima como normal o que está ocorrendo. Contudo, há muitas falhas nesse pensamento.

Sim, é um fato a variação vertical no nível do mar nas eras geológicas passadas, muitas das quais com um aumento anual superior ao atual. Mas, ao contrário delas não passamos por um período de deglaciação (onde condições naturais garantiriam essa mudança) e sim por uma maciça emissão de gases do efeito estufa. Mais do que isso, hoje a taxa de aumento do nível do mar cresce com uma grande rapidez e tal velocidade interfere na nossa capacidade de adaptação.

Segundo Carlos Alfredo Joly (biólogo pela USP e PhD em Ecofisiologia Vegetal pela University of Saint Andrews, na Escócia), "no passado geológico o aquecimento e o resfriamento do planeta se deram de forma gradativa no decorrer de milhares de anos, dando tempo para que ao longo de centenas de gerações de plantas e animais os mecanismos do processo evolutivo atuassem. Isto contudo, foi alterado pelo homem, a referência agora são décadas, e há uma discrepância entre a velocidade das mudanças climáticas e a do processo evolutivo".

CONSCIÊNCIA AMBIENTAL

Observar o cenário atual com um olhar crítico — valorizando o conhecimento científico e com a consciência de que os seres humanos e a natureza são uma unidade e, por conseguinte não podem (nem devem) ser fragmentados — é uma característica necessária para superar as "trevas" que ofuscam causas de extrema importância e levam uma parcela da população a negar coisas já comprovadas cientificamente, como é o caso das mudanças climáticas.

Um canal que gosto muito, o Antídoto, contextualizou bem essa questão em um vídeo:



REFÊNCIAS

Artigos científicos:
https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-45222019000200018&script=sci_arttext&tlng=pt
https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-753X2007000100012&script=sci_arttext&tlng=pt

Artigos de blogs científicos:
http://www.observatoriodoclima.eco.br/patifaria-dos-negacionistas-climaticos/
http://oquevocefariasesoubesse.blogspot.com/
https://climate.nasa.gov/evidence/
https://www.climate.gov/news-features/blogs/beyond-data/2010-2019-landmark-decade-us-billion-dollar-weather-and-climate
https://www.iag.usp.br/siae97/meteo/met_estu.htm
https://www.esrl.noaa.gov/gmd/ccgg/trends/global.html

Artigos jornalísticos:
https://www.bbc.com/portuguese/geral-46424720

Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=qL26MqN8ce8&t=23s
https://www.youtube.com/watch?v=EvXBKCIhkx4
https://www.youtube.com/watch?v=bZoJhnS35VI

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SOBRE MIM

SOBRE MIM
Sou uma pessoa tentando ser útil para a sociedade de modo a transformá-la. Vitória, 23 anos, bacharel em Gestão Ambiental pela USP, vegetariana, gym rat, calistênica iniciante e grande apreciadora da matemática, ciência, cérebro, animais, meio ambiente, livros e psicologia. Definitivamente diferente.

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